Quatro imóveis pertencentes à fintech Inovepay, empresa que entrou na mira de uma operação da Polícia Federal (PF) voltada ao combate de crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro, foram a leilão judicial. As propriedades, cujas avaliações somam aproximadamente R$ 2,6 milhões, estão situadas no município de Campinas, no interior paulista.
O processo de alienação judicial foi determinado pela 1ª Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem de Campinas, após a decretação da falência da proprietária. No pedido de autofalência protocolado pela própria empresa, a Inovepay destacou que as investigações decorrentes da atuação policial resultaram no bloqueio de suas atividades e de ativos financeiros, comprometendo severamente sua operação e culminando na insolvência do negócio.
O leilão atual engloba um terreno e três apartamentos na cidade, sendo realizado exclusivamente por meio da internet através da Positivo Leilões, leiloeira designada pela Justiça. O certame foi estruturado em três etapas distintas:
- Primeira rodada: Com lances iniciados em 24 de setembro e encerramento previsto para o dia 29 do mesmo mês, exigindo propostas a partir de 100% do valor de avaliação dos bens.
- Segunda rodada: Caso não sejam registradas propostas iniciais, o processo segue até o dia 14 de outubro, aceitando lances mínimos de 50% da avaliação.
- Terceira rodada: Na hipótese de persistir a falta de lances, a etapa final ocorre entre 14 e 29 de outubro, permitindo ofertas a partir de R$ 1 mil.
Entre os bens colocados à disposição no certame estão um terreno de 1.282,38 m² localizado em um condomínio de alto padrão no distrito de Sousas, avaliado em R$ 833,5 mil; uma penthouse situada no bairro Cambuí, no valor de R$ 627,6 mil; e dois apartamentos também no Cambuí, avaliados em R$ 579,9 mil e R$ 588,7 mil, respectivamente. Anteriormente, em julho de 2026, a Justiça já havia determinado a hasta pública de 11 veículos da fintech, avaliados em cerca de R$ 3,88 milhões, frota que incluía um modelo clássico de colecionador, um híbrido esportivo e SUVs blindados.
As investigações que atingiram a fintech fazem parte da chamada Operação Concierge, deflagrada originariamente em 28 de agosto de 2024. A ação mirou uma organização criminosa suspeita de movimentar R$ 7,5 bilhões em esquemas de lavagem de dinheiro e fraudes financeiras. De acordo com o inquérito da Polícia Federal, o grupo criou dois bancos digitais não autorizados pelo Banco Central (Bacen) — a Inovepay e o T10 Bank —, operando contas clandestinas interligadas ao sistema bancário oficial por meio de instituições tradicionais.
O esquema investigado permitia a realização de transações financeiras invisíveis aos mecanismos de fiscalização tradicionais, atendendo predominantemente a indivíduos e empresas com restrições judiciais, ordens de bloqueio ou penhora, incluindo facções criminosas e companhias com débitos trabalhistas e tributários. Durante a apuração, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) reportou as irregularidades ao Ministério Público Federal (MPF), apontando também o uso de máquinas de cartão de crédito em nome de empresas de fachada para burlar o sistema financeiro e assegurar um padrão de vida luxuoso aos envolvidos, além de desdobramentos voltados a apurar tentativas de fraudes em órgãos de fomento como o BNDES.
Fonte original: G1