São Paulo, Domingo, 27 de setembro de 2026

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Empreendedora de 65 anos fatura R$ 10,4 milhões com marca de snacks saudáveis nos EUA

Empreendedora de 65 anos fatura R$ 10,4 milhões com marca de snacks saudáveis nos EUA

Por Redação •

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Em 2023, a americana Theresa Burnley decidiu que era o momento oportuno para tirar do papel um desejo antigo: criar a sua própria marca de alimentos saudáveis. Aos 65 anos de idade, moradora de Milford, no estado de New Hampshire, ela transformou o vasto conhecimento acumulado ao longo dos anos em nutrição e produção de alimentos em uma marca inovadora de snacks proteicos em formato de bolinhas, batizada de Circ.

No final de 2024, Burnley tomou a decisão estratégica de vender a sua antiga empresa de panificação — negócio que historicamente atendia grandes redes americanas — para conseguir se focar integralmente na nova empreitada. O projeto, que inicialmente operava como uma iniciativa paralela, ganhou tração impressionante e a marca fechou o ano passado alcançando um faturamento de US$ 2 milhões, o que equivale a aproximadamente R$ 10,4 milhões. Com esse desempenho, a Circ garantiu presença marcante em mais de 13 mil pontos de venda espalhados pelos Estados Unidos, firmando parcerias comerciais com gigantes do varejo como Starbucks e Walmart, conforme dados divulgados pela fundadora ao portal digital da revista americana Entrepreneur.

Corredora dedicada e mãe de três ex-atletas universitários, Theresa Burnley acumulou 16 anos de experiência atuando na fabricação terceirizada de produtos para terceiros. A percepção crítica de que o mercado tradicional de barras de proteína estava defasado e estagnado foi o principal motor para a mudança de rumo em sua carreira. De acordo com a empresária, o formato convencional de barra já não conseguia atender às exigências e necessidades do consumidor moderno, que hoje busca alternativas mais práticas, voltadas ao consumo fracionado e ao controle rigoroso de porções.

Para viabilizar a entrada da empresa no mercado altamente competitivo, Burnley e sua equipe realizaram um investimento superior a US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,2 milhões, direcionados ao desenvolvimento de produtos, aperfeiçoamento de processos e criação de embalagens. Diferente de concorrentes diretos que optam por terceirizar a linha de produção, a empresa de Burnley tomou o caminho de fabricar os próprios snacks internamente. A bagagem e a experiência prévia com massas em formato de bolinhas auxiliaram diretamente o processo produtivo, que também contou com a expertise de confeiteiros integrados à equipe de pesquisa e desenvolvimento.

Assumir a fabricação própria exigiu adaptações complexas em maquinários para viabilizar o desenvolvimento de uma embalagem inovadora com fecho hermético contendo exatamente cinco unidades. Embora os custos fixos iniciais tenham sido consideravelmente mais altos do que os exigidos pelo modelo terceirizado, Burnley avalia com otimismo que a estrutura própria assegurará margens de lucro superiores à medida que o volume de produção escalar. Para o ano corrente, a projeção ambiciosa traçada pela empresária é quadruplicar o faturamento obtido no período anterior.

A trajetória, contudo, não veio isenta de desafios e aprendizados operacionais significativos. Burnley relatou que a companhia iniciou suas atividades carregando uma mentalidade puramente de fabricante, mas compreendeu com o tempo a urgência vital de priorizar o fortalecimento e o posicionamento da marca. A fundadora ressalta que gerenciar a fabricação própria demanda lidar diretamente com falhas logísticas e contratempos operacionais no mundo físico, o que exige da empresa uma margem de folga no estoque e capacidade operacional extra.

Aos novos empreendedores que desejam ingressar no desafiador setor de bens de consumo, Theresa Burnley deixa um alerta claro sobre os obstáculos inerentes a tirar uma ideia do papel sem histórico prévio. "Centenas de marcas de consumo fracassam todos os anos. Você lê sobre as vencedoras, as vê nas prateleiras e nas suas redes sociais, e acho que muita gente pensa: 'Quão difícil pode ser?'. Mesmo com um produto diferenciado que atenda a uma necessidade do consumidor, sair do zero para o sucesso é muito difícil. É preciso ter muita paciência e tolerância à dor", declarou a empresária.

Atualmente dedicada de corpo e alma ao crescimento da Circ, Burnley compara a intensa rotina diária de trabalho aos cuidados ininterruptos exigidos por um recém-nascido. Para a fundadora, embora conselhos estratégicos e mentorias sejam válidos para conferir perspectiva ao negócio, o verdadeiro empreendedor deve estar plenamente preparado para encarar a complexidade do dia a dia corporativo. "Ninguém mais dedicará um décimo do tempo que você dedica ao seu negócio, e ninguém jamais o entenderá tão bem quanto você. Você precisa ouvir todas as vozes ao seu redor, mas, no fim das contas, assumir o controle total", concluiu.


Fonte original: Globo


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