O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), classificou como "oportunismo eleitoral" o anúncio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a respeito da proibição das apostas online, conhecidas como bets, em todo o território nacional. Em declarações à imprensa após uma agenda de campanha na capital paulista, o chefe do Executivo estadual argumentou que a administração federal passou a tratar do tema sensível apenas na reta final da disputa eleitoral.
Para Tarcísio, o endividamento generalizado da população está diretamente relacionado à condução da política econômica do atual governo. O governador sustentou que patamares elevados na taxa de juros pressionam as finanças das famílias, fazendo com que muitos brasileiros busquem nas plataformas de apostas uma alternativa ilusória para complementar a renda ou reverter situações de vulnerabilidade financeira. Na avaliação dele, medidas pontuais adotadas na última semana não são suficientes para anular o impacto de anos de dificuldades econômicas.
O governador também criticou medidas de renegociação de dívidas do governo federal, como o programa Desenrola, argumentando que a sociedade precisa de soluções voltadas para a sustentabilidade financeira de longo prazo. Embora tenha reforçado sua posição contrária aos jogos de azar e às bets — afirmando anteriormente que o avanço das apostas representa uma ameaça direta à integridade das famílias brasileiras —, Tarcísio defendeu a necessidade de um debate mais aprofundado e transparente sobre o tema para evitar cenários de insegurança jurídica.
Entre os pontos questionados pelo governador está o impacto financeiro da proibição sobre as equipes de futebol, que atualmente dependem de patrocínios firmados com empresas do setor de apostas. Tarcísio ponderou que a discussão precisa esclarecer de que maneira o governo pretende lidar com eventuais perdas de arrecadação dos clubes, ressaltando que o país deve priorizar a previsibilidade regulatória e a responsabilidade institucional diante de medidas de forte impacto socioeconômico.
Fonte original: G1