São Paulo, Sábado, 10 de outubro de 2026

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Frota de patinetes elétricos dobra em São Paulo e empresas bloqueiam mais de 2.500 usuários por mau uso

Frota de patinetes elétricos dobra em São Paulo e empresas bloqueiam mais de 2.500 usuários por mau uso

Por Redação •

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A frota de patinetes elétricos compartilhados em São Paulo registrou um crescimento expressivo, dobrando de tamanho em menos de dois anos e passando de 4 mil para 8 mil veículos em circulação. Em contrapartida ao avanço da micromobilidade na capital paulista, as empresas autorizadas a prestar o serviço precisaram adotar medidas severas de punição, bloqueando as contas de mais de 2.500 usuários devido ao uso inadequado dos equipamentos.

Desde 2025, a empresa Whoosh contabilizou mais de 2 mil bloqueios de usuários na cidade. No mesmo período, a Jet, outra companhia autorizada a operar no município, suspendeu cerca de 500 clientes. Em âmbito nacional, considerando os dados das duas plataformas, o total de contas bloqueadas chega a 17 mil, o que representa aproximadamente 1% da base total de usuários no Brasil.

As penalidades foram aplicadas após a constatação de infrações que variam desde atos de vandalismo até condutas de alto risco que descumprem as diretrizes do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Entre as principais irregularidades identificadas pelas operadoras destacam-se:

  • Transporte de carona, com duas pessoas dividindo o mesmo patinete;
  • Liberação e condução do veículo por menores de idade;
  • Estacionamento dos equipamentos fora das zonas devidamente indicadas.

Cadu Souza, diretor de operações da Whoosh, ressaltou que as suspensões integram um conjunto de ações de segurança. “Os bloqueios são uma das medidas adotadas quando identificamos comportamentos que descumprem as regras de uso, mas o trabalho de segurança começa antes disso. A ideia é atuar em diferentes frentes, combinando monitoramento, canais de denúncia e educação para reduzir situações de risco”, declarou. Os usuários penalizados têm a opção de contatar o suporte das plataformas para solicitar esclarecimentos ou a revisão de suas respectivas contas.

O mercado de patinetes compartilhados na capital passou por transformações regulatórias desde a chegada dos primeiros equipamentos à cidade, há sete anos. A Prefeitura de São Paulo iniciou esforços de fiscalização e normatização em 2019, processo que ganhou novos contornos após a Resolução nº 996 do Contran, publicada em 2023, que definiu diretrizes para ciclomotores, bicicletas elétricas e autopropelidos, delegando aos municípios a responsabilidade pela fiscalização. Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), avalia o cenário: “O cenário entre os municípios ainda é muito desigual: algumas cidades avançaram, enquanto outras ainda não estruturaram regras locais e mecanismos efetivos de fiscalização. A etapa educativa é importante, especialmente na implantação de novas regras, mas precisa ser seguida de fiscalização. Em segurança viária, não podemos esperar que acidentes graves ditem o ritmo da regulamentação”.

Após trâmites administrativos e disputas, a locação de patinetes retornou às ruas da metrópole em dezembro de 2024. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) tem desenvolvido ações educativas por meio de sinalização viária e painéis de velocidade, enquanto a administração municipal implementou novas regras complementares para o setor, cujos parâmetros de fiscalização vêm sendo estruturados conforme a Portaria SMT.SEMTRA nº 025.

O crescimento da frota veio acompanhado da expansão operacional das empresas. A Whoosh elevou sua oferta de mil para 3 mil patinetes, enquanto a Jet passou de 3 mil para 5 mil unidades. A infraestrutura de apoio também cresceu, com a Jet ampliando seus pontos de estacionamento de 600 para 1.300, complementados pelos 420 pontos disponibilizados pela Whoosh em locais estratégicos para integração com o transporte público.

Análises de padrão de uso conduzidas pelas operadoras evidenciam que os patinetes se consolidaram como alternativa viável para deslocamentos de primeira e última milha na capital:

  • Deslocamentos com média de 2,5 quilômetros de extensão;
  • Concentração de alto volume de corridas durante os dias úteis;
  • Picos de utilização nos horários de entrada e saída do expediente de trabalho.

Diante da adesão popular, tanto a Whoosh quanto a Jet mantêm planos voltados para a ampliação de suas frotas e expansão das áreas de atendimento na cidade de São Paulo.


Fonte original: G1


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