São Paulo, Domingo, 11 de outubro de 2026

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Investigação apura morte de jovem baleado 27 vezes por PMs após celular ser confundido com arma em São Paulo

Investigação apura morte de jovem baleado 27 vezes por PMs após celular ser confundido com arma em São Paulo

Por Redação •

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A morte de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, atingido por pelo menos 27 disparos efetuados por policiais militares na madrugada de sábado (10), em Moema, na Zona Sul de São Paulo, tornou-se alvo de investigações conduzidas pelas polícias Civil e Militar. De acordo com o boletim de ocorrência, quatro PMs dispararam 45 vezes durante a abordagem, alegando terem confundido um aparelho celular com uma arma de fogo. O jovem não possuía antecedentes criminais e fazia tratamento psiquiátrico desde o ano anterior.

O acionamento da Polícia Militar ocorreu por volta das 2h35, após o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) receber um chamado informando que um homem estaria em surto e ameaçava tirar a própria vida nas imediações da Avenida Moreira Guimarães. Conforme o registro policial, Gustavo correu ao avistar os agentes, atravessou uma passarela em direção à Alameda dos Guaramomis e buscou refúgio no recuo de um imóvel comercial. Na versão apresentada pelos policiais, o jovem teria saído de uma área escura posteriormente, estendendo os braços em direção à equipe enquanto segurava um objeto que foi interpretado como ameaça, motivando a abertura de fogo. O item em questão era um telefone celular da marca Samsung, localizado pela perícia ao lado do corpo da vítima.

O levantamento oficial detalha a distribuição dos disparos efetuados pelos quatro policiais militares envolvidos, que utilizaram pistolas calibre .40:

  • Soldado Gomes: 14 disparos
  • Soldado Sales: 13 disparos
  • Soldado França: 12 disparos
  • Sargento Macedo: 6 disparos

Outros quatro policiais que se encontravam em viaturas de apoio no local não efetuaram tiros, segundo o documento. A perícia técnica identificou quatro pontos de concentração de cápsulas, recolhendo 44 estojos e 13 fragmentos de projéteis. O laudo preliminar apontou ao menos 27 perfurações no corpo de Gustavo, atingindo regiões como crânio, maxilar, queixo, traqueia, tórax, escápula, axilas, flancos, pelve, braços, mãos e pernas. O laudo definitivo deverá ser emitido pelo Instituto Médico Legal (IML).

Familiares relataram aos investigadores que Gustavo morava com a mãe e as irmãs, enfrentava dependência química e fazia uso de medicamentos antidepressivos. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) determinou a abertura de um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta dos agentes, enquanto o caso foi oficialmente registrado no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) como resistência e morte decorrente de intervenção policial. As quatro armas de fogo, o aparelho celular e as imagens capturadas pelas câmeras corporais dos policiais foram apreendidos para subsidiar os laudos balísticos e a reconstituição integral da dinâmica dos fatos.


Fonte original: G1


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