São Paulo, Domingo, 04 de outubro de 2026

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Mais de 80% das franquias de educação já usam IA, mas desafio agora é gerar resultado, diz estudo

Mais de 80% das franquias de educação já usam IA, mas desafio agora é gerar resultado, diz estudo

Por Redação •

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Seja no setor administrativo, seja na sala de aula, a inteligência artificial (IA) já faz parte da rotina dos negócios de educação no franchising. Segundo o Diagnóstico Setorial de Educação 2026, realizado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), por meio da Comissão de Educação, em parceria com a Praxis Business, 80,8% das franquias do setor já contam com IA na operação.

Apesar da presença massiva, a adoção da tecnologia é apontada como um dos principais desafios para as redes neste ano. A pesquisa ouviu 27 redes, que somam 4.997 unidades franqueadas e 5.050 operações no total, das quais 99% são franqueadas.

De acordo com a pesquisa, entre as principais aplicações do uso de IA estão gestão operacional e marketing, citadas por 69,2% das marcas; conteúdo didático e personalização, com 57,7%; e tutoria e suporte aos alunos por meio de chatbots, com 42,3%. Outros 11,5% ainda não utilizam, mas planejam implementar a tecnologia nos próximos 12 meses.

"Acredito estarmos começando a segunda etapa da adoção da IA nas redes de educação: a primeira foi a experimentação e o ganho de produtividade; a próxima precisa ser a comprovação de impacto no negócio", avalia Adir Ribeiro, CEO e fundador da Praxis Business, que indica que já existem aplicações com ganhos concretos, principalmente em automação de processos, atendimento, produção de conteúdo, suporte às unidades, análise de dados e processos comerciais.

"Em algumas redes, por exemplo, a IA já está sendo utilizada para qualificação de leads, atendimento e apoio à conversão comercial, além da redução de tarefas operacionais", diz Ribeiro.

Mesmo no cenário de ampla utilização, a adoção da IA também aparece entre os desafios das redes para 2026, ocupando a quarta posição entre as dificuldades apontadas no levantamento. Para o CEO da Praxis Business, a principal lacuna atualmente é a mensuração de impactos da IA na receita, conversão, retenção ou na rentabilidade das unidades.

Segundo o estudo, o mercado de educação vive um momento de crescimento. Entre as redes participantes da pesquisa, foram 318 novas unidades em operação em 2025. O caixa das empresas acompanha a expansão. Para 70,3% das redes, a projeção é de crescimento de faturamento neste ano, considerando a mesma base de lojas do ano anterior.

O levantamento ainda aponta que 53,8% das franqueadoras e 53,8% das unidades franqueadas pesquisadas registram margem líquida acima de 20%. Para 92,5% das redes, o ponto de equilíbrio é atingido entre seis meses e dois anos, sendo 44,4% entre seis meses e um ano e 48,1% entre um e dois anos.

Para crescer, duas vias estão no radar das redes de educação: multifranqueados e aquisição de novos investidores. Segundo o estudo, as redes sociais são utilizadas por todas as marcas pesquisadas na captação de novos franqueados, seguidas por canais próprios, indicação da rede e outros meios de origem orgânica. A conversão de leads em franqueados, porém, permanece em uma mediana de 2%. O investimento médio por franqueado captado varia, em média, de R$ 10 mil a R$ 15 mil.

Já os franqueados com mais de uma unidade estão nas estratégias de 85,2% das redes, que permitem alguma modalidade de multifranquia. Entre as redes com 51 unidades ou mais, todas contam com multifranqueados. Para Rogério Gabriel, diretor da Comissão de Educação da ABF, este movimento ganhou mais tração nos últimos cinco anos, mas ainda cresce de forma gradual. "O modelo exige um franqueado mais preparado, com maior capacidade de investimento", diz Gabriel, que ressalta, especialmente nas escolas, a gestão tende a ser ainda mais complexa.

Mesmo em um momento de expansão, crescer ainda é visto como o principal desafio para as redes em 2026, citado por 80,8% das marcas. Gabriel atribui a percepção sobretudo ao cenário macroeconômico. "O contexto de juros elevados, maior dificuldade de crédito, pressão inflacionária e alta taxa de ocupação são fatores que influenciam as decisões de investimento de possíveis interessados, o que é parcialmente compensado pelo interesse de franqueados que já fazem parte da rede", diz.

Outros desafios mencionados pelas redes são o crescimento do faturamento, indicado por 61,5%, além do recrutamento e retenção de equipes (46,2%).

Atualmente, a formação das equipes está entre as prioridades das redes, com 63% das franqueadoras afirmando investir mais de R$ 100 mil por ano em capacitação. Além disso, 88,5% oferecem formação pedagógica ou técnica aos instrutores das unidades.

Após um boom de modalidades à distância na pandemia, o formato presencial vem retomando espaço nos negócios de educação. Em média, 88,8% dos alunos das redes pesquisadas estão em aulas presenciais em 2026, contra 56% em 2025. O digital síncrono representa 5,3%, o híbrido 5,2% e o digital assíncrono 0,8%. O resultado indica a aceleração de um movimento que já aparecia na edição anterior da pesquisa, quando o presencial passou de 50%, em 2024, para 56%, em 2025.

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Fonte original: Globo


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