São Paulo, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026

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Inovação e Resistência: Jovens de Campinas usam tecnologia aberta para combater o racismo ambiental

Inovação e Resistência: Jovens de Campinas usam tecnologia aberta para combater o racismo ambiental

Por Redação

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Moradores da região do Campo Belo, em Campinas (SP), estão utilizando ferramentas tecnológicas para mapear rigorosamente os problemas ambientais que impactam o dia a dia de bairros periféricos do município, como enchentes recorrentes, descarte irregular de lixo e a formação de ilhas de calor.

A iniciativa, concebida e liderada pelo coletivo Assaltar as Nuvens, tem como principal finalidade transformar a produção autônoma de dados em um instrumento efetivo de enfrentamento ao racismo ambiental, além de servir como base para cobranças por melhorias diretamente ao poder público. A proposta prevê a capacitação técnica de jovens no uso de tecnologias de código aberto e produção cidadã de informações.

O que é o racismo ambiental? O termo é amplamente utilizado para descrever situações nas quais grupos socialmente vulneráveis ficam mais expostos a riscos ambientais de diversas naturezas, a exemplo de enchentes, poluição severa, escassez de áreas verdes e infraestrutura urbana precária.

O projeto integra a seleção do edital da pesquisa Juventudes, Raça e Mudanças Climáticas em Campinas (Jucamp), criada pelas organizações Em Movimento e Minha Campinas, com o fundamental apoio da Fundação FEAC. O edital garantiu financiamento financeiro e suporte técnico para fomentar ações encabeçadas por jovens em territórios periféricos da cidade.

Um levantamento prévio apontou que os reflexos das mudanças climáticas configuram uma apreensão constante para a juventude campineira. Segundo a pesquisa, 58% dos entrevistados declararam que a crise climática compromete suas expectativas em relação ao futuro, enquanto sete em cada dez jovens relataram prejuízos e impactos diretos em sua saúde mental.

Na prática operacional, após passarem por treinamentos específicos, os participantes vão identificar e registrar digitalmente uma série de cenários críticos:

  • Enchentes e pontos de alagamento;
  • Descarte irregular de resíduos e lixo;
  • Ilhas de calor urbano;
  • Falta de arborização adequada;
  • Questões ligadas à mobilidade urbana.

Os registros permitirão a consolidação de um mapa estratégico detalhado, evidenciando as áreas de maior concentração de problemas e auxiliando na formulação de um diagnóstico ambiental aprofundado das periferias de Campinas.

Para os organizadores, a geração de dados capitaneada pelos próprios moradores contribui para dar visibilidade a gargalos históricos enfrentados pelas comunidades periféricas, estimulando ativamente a participação juvenil em debates sobre planejamento urbano e emergclimática.

Segundo João, membro do coletivo, a premissa do projeto surge da constatação de que as consequências climáticas atingem de maneira desigual as diferentes regiões do município:

"A gente entende que a crise climática não afeta todo mundo da mesma forma. Existem territórios mais vulnerabilizados e que sofrem mais com enchentes, calor excessivo e problemas ambientais. A nossa ideia é dar ferramentas para que os próprios moradores produzam informações sobre esses cenários", pontuou.

A metodologia de geração cidadã de dados empregada capacita os moradores a participarem ativamente da coleta e consolidação de informações sobre o seu próprio cotidiano. O intuito é desvendar problemáticas que, muitas vezes, passam despercebidas em levantamentos oficiais, fortalecendo a comunidade na busca por soluções.

"O morador já conhece a realidade do bairro. O que estamos propondo é que ele também tenha instrumentos para registrar essas informações de maneira organizada e transformá-las em dados que possam embasar reivindicações e políticas públicas", completou João.

A pesquisa base da Jucamp revelou ainda que 77% dos jovens concordam enfaticamente que a população enfrenta uma verdadeira crise climática. Adicionalmente, seis em cada dez entrevistados observam reflexos do problema em suas rotinas de estudo ou trabalho, ao passo que 34% apontaram dificuldades severas de deslocamento nos dias chuvosos, reforçando o interesse coletivo por transformações práticas em seus locais de vivência.


Fonte original: G1


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