São Paulo, Segunda-feira, 05 de outubro de 2026

Jornal o Paulistão

Guilherme Derrite e André do Prado são eleitos senadores por São Paulo após disputa acirrada

Guilherme Derrite e André do Prado são eleitos senadores por São Paulo após disputa acirrada

Por Redação •

0:00
--:--

Os candidatos Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) foram eleitos senadores por São Paulo. O resultado foi oficializado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) às 19h30, momento em que Derrite contabilizava 30,72% dos votos válidos, enquanto André do Prado registrava 29,38%.

Desde o início do período de campanha, a disputa pelas duas vagas em jogo configurou-se como um dos pleitos mais acirrados da política paulista, polarizada principalmente entre dois grandes blocos de alianças partidárias. De um lado, a chapa de Derrite e Prado contou com o forte respaldo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do senador Flávio Bolsonaro (PL). Do outro lado, o campo governista apostou nas ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), integradas à coalizão liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo ex-ministro Fernando Haddad (PT).

As pesquisas de intenção de voto refletiram esse equilíbrio constante ao longo das semanas. Nos levantamentos conduzidos pelo instituto Quaest, Derrite liderou em quatro ocasiões, com percentuais variando entre 12% e 25%, com exceção da pesquisa divulgada em 8 de setembro, quando Marina Silva apareceu na primeira colocação. O cenário apresentou variações no Datafolha, onde Marina liderou três vezes, enquanto Derrite ocupou a primeira posição no levantamento publicado na véspera da votação.

Enquanto Marina e Tebet estruturaram suas campanhas na defesa das pautas do governo federal e na necessidade de fortalecer a base governista no Congresso Nacional, Derrite e Prado centraram o discurso na consolidação de uma bancada conservadora e de forte oposição à atual gestão federal. O clima de competitividade marcou todo o processo eleitoral, refletindo-se inclusive em debates e embates públicos.

A disputa no campo conservador também foi marcada por tensões internas, intensificadas pela candidatura independente de Ricardo Salles (Novo), que abriu uma frente de conflito com outros ex-integrantes do governo federal. Salles concentrou críticas contundentes contra André do Prado, então presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), alegando que o adversário representava o chamado "Centrão" e questionando sua autenticidade no espectro ideológico de direita. Os atritos resultaram em ações judiciais e multas aplicadas pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) por propaganda irregular e disseminação de conteúdo depreciativo.

Contudo, a dinâmica mudou na reta final do pleito, quando Ricardo Salles anunciou a desistência de sua candidatura a seis dias da eleição. Na ocasião, o ex-ministro declarou apoio a Guilherme Derrite e André do Prado, argumentando que as divergências internas deveriam ser superadas em prol da união da direita paulista.

Outro ponto de destaque na campanha envolveu os ataques sofridos por Marina Silva e Simone Tebet por parte dos adversários políticos devido ao fato de não terem nascido no estado de São Paulo — Marina é natural do Acre e Tebet, de Mato Grosso do Sul. O argumento regionalista foi amplamente explorado por opositores, mas rebatido pelas campanhas das ex-ministras, que lembraram que o próprio governador Tarcísio de Freitas, principal padrinho político de Derrite e Prado, nasceu no Rio de Janeiro.


Fonte original: G1


Leia Também