São Paulo, Quinta-feira, 08 de outubro de 2026

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Casal com menos de um ano de namoro abre pizzaria em SP e viraliza ao narrar 'perrengues'

Casal com menos de um ano de namoro abre pizzaria em SP e viraliza ao narrar 'perrengues'

Por Redação •

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Uma usuária do TikTok compartilhou um pedido de ajuda que movimentou seus seguidores nos últimos dias. A jovem Juliana Bernardo da Silva Leme, de 23 anos, (@a.julianabecker) gravou um vídeo pedindo para as pessoas comprarem pizzas no estabelecimento que ela abriu com o namorado, Ramon Silva de Souza, de 29 anos, com quem se relaciona há menos de um ano.

No vídeo, publicado na última sexta-feira (3/10), ela explica que o casal abriu a pizzaria com “um sonho enorme, compramos um ponto, demos uma entrada de R$ 3 mil e assumimos parcelas de R$ 3 mil". A realidade do negócio, contudo, foi diferente do esperado e o estabelecimento não está “conseguindo se pagar". Até o momento, o vídeo acumula mais de 270 mil visualizações no TikTok.

“Nós já estamos com duas parcelas atrasadas, além do aluguel. Muitas das vezes a gente precisa tirar dinheiro do nosso próprio bolso para conseguir manter tudo funcionando", relata. Leme, então, pede que seus seguidores compartilhem o vídeo e que os moradores de São Vicente, município no litoral de São Paulo, peçam a pizza deles. “A gente só quer manter nosso sonho em pé", finaliza.

O pedido parece ter surtido efeito. Em um segundo vídeo, publicado no domingo (4/10), Leme contou que o movimento na pizzaria aumentou a ponto de eles precisarem encerrar as atividades antes do esperado, já que muitos insumos haviam acabado. Ela explica que, por conta das dívidas tanto do negócio quanto das pessoais que eles criaram, não estão conseguindo comprar produtos em grande quantidade. “Estamos fazendo aos poucos, conforme conseguimos, e isso está acontecendo gracas a vocês".

A PEGN, Leme conta que ela e o namorado quiseram abrir um negócio desde o início da relação. As ideias foram de lava-rápido à adega, mas a pizzaria surgiu como uma possibilidade quando a mãe da jovem avisou que um antigo espaço, que tinha funcionado por cerca de cinco meses, estaria passando o ponto em São Vicente.

Na época, eles precisaram levantar em torno de R$ 3 mil para dar a entrada, quantia que foi completada em boa parte com ajuda da mãe da jovem, que se tornou sócia de início, bem como seu padrasto. De primeira, o empreendimento contou com os quatro divididos nas funções de motoboy (o namorado), pizzaiolo (o padrasto), ajudante (a mãe) e caixa (a jovem). Um tempo depois, contudo, a sociedade foi desfeita.

Apesar dos contratempos, o plano da jovem empreendedora e do namorado é de, no futuro, expandir a pizzaria, abrir uma unidade em Praia Grande, onde eles moram, e conseguir ter lucro com o negócio — o que ainda não aconteceu.

Embora o próprio espaço já estivesse pronto para o funcionamento, por já ter sido uma pizzaria, ela também conta que precisou renovar a fachada e acrescentar luzes na entrada.

Atualmente, ela afirma que o negócio precisa de capital de giro para movimentar o caixa e permitir novos investimentos, como a compra de insumos direto do fornecedor e até de melhorias no lugar. “Eu sou nova, não consigo fazer empréstimo em qualquer lugar e meu namorado tem algumas pendências no nome que precisamos limpar", diz.

O namorado, Souza, mantém um trabalho paralelo como motoboy para custear as despesas da pizzaria e o casal conta com a ajuda do irmão mais novo dele nas entregas. Antes de iniciar o negócio, Souza nunca havia feito uma pizza e contou com a ajuda de tutoriais nas redes sociais.

“Meu namorado trabalhou em umas pizzarias e aprendeu algumas coisas, além de ver muito vídeo no YouTube e no Tiktok. Ele foi tentando, se esforçando para fazer uma pizza bonita e tem dado certo", afirma Leme, relatando que boa parte dos comentários nas redes sociais elogiam a beleza do produto.

Até o momento, a parceria com o namorado tem sido positiva e eles têm lidado bem com a gerência do negócio juntos, de acordo com Leme. Contudo, é preciso ter alguns cuidados adicionais quando se decide empreender com o parceiro, explica a professora do MBA em Gestão de Marketing da Escola de Negócios (IAG) da PUC-Rio, Lelia Toledo, já que os problemas empresariais podem afetar a vida do casal – e vice-versa.

“É importante dividir as responsabilidades e deixar claro qual o papel de cada um no negócio”, afirma. Segundo ela, o ideal é separar os assuntos da empresa da rotina familiar e estabelecer momentos específicos para discutir questões relacionadas ao negócio, evitando que a empresa ocupe todo o espaço da relação.

Outro ponto de atenção é a organização financeira. Para Toledo, o casal precisa definir desde o início quanto cada um está investindo, se haverá retirada de pró-labore e como os lucros serão distribuídos, além de separar as contas pessoais das empresariais. “Misturar conta pessoal com conta da empresa, fazer retiradas sem critério ou pagar despesas da família com recursos do negócio são práticas que costumam trazer muitos problemas para a gestão”, explica.

Já para Annaysa S. Muniz Kamiya, professora do curso de Administração da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), o casal também precisa alinhar as expectativas antes de começar o negócio e durante, para que ambos estejam caminhando na mesma direção. Enquanto uma pessoa pode ter planos de transformar a empresa em um grande negócio, a outra pode estar satisfeita com uma operação menor, por exemplo.

Para quem ainda está pensando em empreender com o parceiro, a professora recomenda não colocar todos os recursos em um empreendimento, mas sim testar a parceria em um projeto menor antes de assumir um compromisso maior. “Nada como a convivência e a relação no dia a dia para poder entender como funcionaria essa dinâmica”, diz.

Embora essa conversa não seja divertida, Paula Sauer, professora da FIA Business School, afima que é de extrema importância.

Discutir tópicos como quem ficaria com a empresa, quem compraria a participação do outro ou se ambos continuariam como sócios podem ajudá-los a lidar com esse tipo de situacão de forma mais profissional. “Planejar a saída não significa esperar que o relacionamento termine. Significa proteger aquilo que o casal está construindo”, afirma.

Para além de se preocupar com uma possível separacão, Sauer chama atencão para outras questões que podem surgir ao longo do empreendedorismo em conjunto e que pode instigar discussões entre o casal, como quem toma as decisões, quem trabalha mais, quem aparece mais e quem recebe mais. Quando essas definições não são claras, segundo ela, podem surgir ressentimentos que ultrapassam o ambiente profissional.

A professora ainda dá uma dica para os casais: não coloque toda sua renda ou patrimônio no negócio. “Se investe tudo na empresa, pode passar a depender dela para pagar as despesas da casa, assumir dívidas e, às vezes, ainda oferece patrimônio pessoal como garantia”, explica.


Fonte original: Globo


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