São Paulo, Sábado, 03 de outubro de 2026

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A Física e a Biologia por trás do enjoo em carros elétricos: entenda o fenômeno que pode cair na Unicamp

A Física e a Biologia por trás do enjoo em carros elétricos: entenda o fenômeno que pode cair na Unicamp

Por Redação •

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A sensação de enjoo ao andar de carro elétrico tem despertado a curiosidade de passageiros e especialistas. A resposta para esse mal-estar envolve a integração complexa entre a física e a biologia, sendo inclusive um tema de grande relevância acadêmica que pode aparecer em questões do Vestibular 2027 da Unicamp, cuja primeira fase está marcada para 18 de outubro.

Conceitos fundamentais como torque instantâneo, Lei da Inércia, Movimento Uniformemente Variado (MUV) e a fisiologia do sistema vestibular ajudam a explicar como o corpo humano reage às acelerações bruscas desses veículos e por que elas geram desconforto. Embora o efeito não seja exclusivo da mobilidade elétrica, ele está diretamente relacionado à maneira como o cérebro processa as informações de movimento recebidas por diferentes sistemas corporais.

Segundo o professor de física Rodrigo Araújo, da Oficina do Estudante, uma das explicações para o mal-estar está na capacidade de aceleração proporcionada pelo motor elétrico. "O motor elétrico consegue entregar força muito mais rápido para o eixo do motor. Ele tem um torque maior do que o carro a combustão, um torque instantâneo. Dependendo de como a pessoa dirige, essa aceleração mais rápida e abrupta pode causar os efeitos. Nosso corpo tem a tendência de permanecer no estado de movimento em que ele estiver e, quando você muda o estado do movimento do corpo, é quando há maior chance de sentir o enjoo. Aqui, temos a Lei da Inércia atuando e o corpo sendo afetado por ela", explica o docente.

Outro conceito que pode aparecer nas provas da Unicamp e que se relaciona à diferença de aceleração entre os veículos é o Movimento Uniformemente Variado (MUV). Além disso, os sistemas de frenagem e recarga dos automóveis elétricos também atraem atenção. Para o professor do Instituto de Física Gleb Wataghin, Leandro Tessler, a frenagem regenerativa é um excelente exemplo prático da transformação e conservação de energia. "A frenagem regenerativa, presente em carros elétricos, transforma a energia cinética em energia elétrica, capaz de recarregar a bateria. Então, em uma viagem à praia, por exemplo, em que há descida de serra e mais situações de frenagem, é possível constatar ganho de autonomia ao chegar ao destino. Essa situação pode ser um tema de prova", destaca Tessler.

Sob a ótica da biologia, a sensação de enjoo está intrinsecamente ligada ao sistema vestibular, popularmente conhecido como labirinto. As principais funções dessa estrutura incluem:

  • Detectar os movimentos de rotação;
  • Perceber acelerações lineares;
  • Identificar a ação da gravidade;
  • Ajudar o cérebro a manter o equilíbrio;
  • Estabilizar a visão.

De acordo com a médica otorrinolaringologista e coordenadora do Setor de Otoneurologia da Disciplina de Otorrinolaringologia Cabeça e Pescoço da Unicamp, Raquel Mezzalira, sintomas como náusea, tontura, suor frio e vontade de vomitar durante uma viagem configuram a cinetose, ou enjoo de movimento. "Em algumas pessoas, esses sintomas podem aparecer ou se intensificar em carros elétricos. Mas a explicação não é simplesmente que 'carro elétrico dá mais enjoo'. O que está por trás do problema é a maneira como o cérebro interpreta o movimento. Quando um carro acelera ou freia, o labirinto registra a mudança de movimento", esclarece a especialista.

A médica detalha que o cérebro precisa integrar sinais da visão, dos músculos e das articulações para construir uma percepção coerente de deslocamento, gerando o enjoo quando essas informações entram em conflito. Características específicas dos veículos elétricos, como a aceleração mais imediata e o baixo nível de ruído e vibração, alteram as pistas sensoriais habituais. Em carros convencionais, o som e as vibrações do motor atuam como indicativos de aceleração que o cérebro aprendeu a reconhecer; a ausência parcial desses elementos nos elétricos pode contribuir para o conflito sensorial em indivíduos mais suscetíveis.

Para os estudantes que desejam se aprofundar e revisar os conteúdos exigidos nos exames, os tópicos de estudo recomendados dividem-se nas seguintes áreas:

Conteúdos de Física para Revisão:

  • Torque e aceleração dos carros elétricos: Compreensão do torque como força de rotação, diferenças entre motores elétricos e a combustão, e a influência da aceleração no movimento dos passageiros.
  • Lei da Inércia (1ª Lei de Newton): Estudo da tendência dos corpos de manterem seu estado, diferenciação entre repouso e movimento, e reações corporais em frenagens bruscas.
  • Movimento Uniformemente Variado (MUV): Análise da aceleração constante, equações do MUV e interpretação de gráficos de posição, velocidade e tempo aplicados ao trânsito.
  • Energia cinética e frenagem regenerativa: Relação entre massa, velocidade, conservação de energia e o funcionamento da recuperação energética em descidas e frenagens.

Conteúdos de Biologia para Revisão:

  • Sistema vestibular (labirinto): Anatomia básica, função dos canais semicirculares, utrículo, sáculo e a manutenção do equilíbrio corporal e estabilização visual.
  • Sistema nervoso e integração sensorial: Mecanismos de recepção e interpretação de sinais da visão, músculos e articulações pelo cérebro, incluindo o estudo do conflito sensorial.
  • Cinetose (enjoo de movimento): Sintomatologia, relação com estímulos vestibulares e visuais, e as variações individuais na sensibilidade ao movimento.

Fonte original: G1


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